Aulas

Fundos de Ações: vale a pena investir?

Muitos investidores não possuem conhecimento para investir diretamente em ações e nem para compor uma carteira de ações minimamente razoável. Outros, possuem o conhecimento, mas não o tempo disponível para estudar e selecionar as empresas. Ambos os tipos de investidores podem optar por investir em ações através de fundos de ações, os chamados FIAs.

Aqui iremos conversar um pouco sobre esse veículo de investimento e abordar os prós e contras quando optamos por eles. Também traremos um exemplo, utilizando a holding do Warren Buffett, explicando o efeito das taxas de administração e performance na rentabilidade final percebida pelo investidor.

Prós e contras de comprar ações sozinho

Impostos

A grande maioria dos investidores iniciantes possuem um patrimônio baixo e durante a gestão do seu portfólio conseguem realizar vendas abaixo do valor mensal máximo permitido para obter o benefício fiscal. 

De acordo com a Lei 11.033/04 Art. 3º, vendas de ações abaixo de R$20mil por mês estão isentas do pagamento de imposto de renda sobre o lucro, mas ainda será obrigado a declarar.

Diversificação

Pelo mesmo motivo de baixo patrimônio, muitos investidores não conseguem diversificar seus investimentos em ações de maneira adequada. Uma diversificação recomendável está entre 5 e 10 ações diferentes. Para comprar essa carteira, utilizando o lote padrão de 100 ações, pode ser necessário um investimento total de R$10mil a R$20mil reais, dependendo da cotação das ações.

Hoje, ficou mais fácil investir por meio de ETFs de ações. Esses ETFs vão seguir a carteira de algum índice, que costumam ser bem diversificados. Os investimentos em ETFs não tem isenção de imposto de renda e, dessa forma, o lucro será tributado pela alíquota de 15% sobre o lucro mesmo para vendas abaixo de R$20mil reais mensais.

Custos

Dependendo do número de ordens que o investidor irá realizar para montar e administrar sua carteira, esse valor pode inviabilizar uma boa rentabilidade.

Os custos de corretagem, caíram muito comparado há alguns anos. Estão mais baratos, em torno de R$10 reais em corretoras com mais benefícios e até taxa zero de corretagem em outras. De qualquer forma, cada investidor precisa projetar quanto deve gastar de corretagem para decidir se vale a pena montar uma carteira ou simplesmente comprar um ETF.

Exemplo 1:

Para uma carteira de R$5mil reais, o investidor realiza em média 10 ordens de compra/venda por ano, custando R$5 cada (total de R$50), esse custo é de 1% a.a.

Já se a ordem custar R$20, o custo será de 4% a.a, o que provavelmente não compensa o que você espera ganhar a mais nas ações em relação a renda fixa.

Prós e contras de investir em FIAs

Imposto

A tributação de fundos é cobrada sempre no resgate do investimento, com uma alíquota de 15% sobre o ganho de capital, semelhante a tributação dos ETFs. Esse valor é considerável de modo que a habilidade do gestor do fundo de gerar valor precisa superar esse custo maior para você.

Exemplo 2: Vamos supor que a carteira do investidor individual renda 10% a.a em média e ele consegue ficar dentro do limite de isenção de imposto de renda. Enquanto isso, a carteira do fundo rende 12% a.a em média.

Resgate em 1 ano: O investidor individual obtém 10%, enquanto a carteira do fundo 12% x (1-0,15) = 10,2%. Nesse caso o fundo de ações ganhou, mas foi por pouco.

Resgate em 3 anos: O investidor individual obtém 33,1% líquido, calculado por (1,10^3 – 1), enquanto a carteira do fundo tem a rentabilidade bruta de 40,5%, calculada por (1,12^3 – 1), e a rentabilidade líquida é dada por 40,5% x (1-0,15) = 34,4%. Novamente o fundo ganhou por pouco.

No final, se a rentabilidade do investidor individual for maior do que 85% da rentabilidade do fundo, o investimento individual vai compensar a aplicação em um fundo.

Diversificação

Os fundos de investimentos são altamente diversificados.

Custos

Os fundos de investimento, em tese, contam com uma equipe qualificada para analisar as opções de investimentos e seleciona-las para a melhor composição da carteira do fundo. A partir da dedicação exclusiva dessa equipe é esperado que eles obtenham uma rentabilidade maior do que os investidores individuais e também que superem a rentabilidade dos índices de mercado (que são replicadas nos ETFs).

Por isso, esses fundos cobram taxas de administração e performance, que precisam ser compensadas pelo excesso de rentabilidade que eles podem obter em relação ao investimento individual e aos índices de mercado.

Para entender essa compensação rentabilidade versus taxas de fundos, vamos trazer o exemplo da carteira do investidor mais famoso de ações, Warren Buffett.

Berkshire Hathaway com e sem taxas

Warren Buffett é o gestor da holding Berkshire Hathaway, a sua holding funciona como uma espécie de fundo que investe em diferentes empresas. A grande diferença é que a holding de Buffett não cobra taxas de administração e performance.

No artigo, sobre a estratégia de investimento do Warren Buffett, mostramos a rentabilidade da sua holding desde 1965 até 2017, em torno de 19,1% a.a contra uma rentabilidade do índice de ações S&P500, no mesmo período, de apenas 9,9% a.a.

A rentabilidade do Buffett é isenta de taxas, mas se ele cobrasse taxas de 2% para administração e 20% de performance, como muitos fundos costumam cobrar a rentabilidade final para o investidor seria de 13,9% a.a. Essa rentabilidade ainda estaria muito acima do mercado,mas para o investidor comum alcançar ele precisaria ter apenas uma fração (menor do que 50%) da habilidade de Warren Buffett.

O gráfico abaixo mostra a diferença da riqueza gerada para o cotista:

Com um investimento inicial de U$100 em 1965, sem taxas, o investidor obteria, em 2017, um valor um pouco maior do que U$100mil (linha laranja). Com taxas, o investidor obteve em 2017 quase U$2,4 milhões. Uma diferença brutal.

Em prazos menores 5, 10, 20 anos a diferença da rentabilidade considerando as taxas ainda seria muito significante.