Aulas

Análise Técnica: Day Trade e Curto Prazo

Na primeira aula dessa série, apresentamos para você uma visão geral sobre o que é e como funciona a Análise Técnica de Ações. Falamos sobre como o preço das ações é formado, a importância da análise e também citamos os principais indicadores considerados por investidores na tomada de decisão.

Nessa segunda parte, focaremos nos indicadores de Day Trade e Curto Prazo, fundamentais para quem quer entender melhor como aplicar na Bolsa de Valores.

Mas, antes de entrarmos nos detalhes técnicos é muito importante que você entenda os conceitos de Day Trade e Curto Prazo, quais operações são feitas nesses modelos de investimentos e porque eles apresentam grandes possibilidades de ganho.

O que é Day Trade?

Essa é uma das modalidades mais arriscadas de investimento. São operações realizadas em um mesmo dia, cujos resultados acontecem a partir da volatilidade das ações em períodos curtíssimos de tempo, como horas e até mesmo minutos. E é justamente essa característica que faz do Day Trade um modelo atrativo para quem deseja aumentar o seu capital.

Como as movimentações de compra e venda acontecem muito rapidamente, o investidor pode realizar muitas operações em um mesmo dia, aumentando as chances de lucro. Um ponto importante que deve ser observado por quem deseja focar nesse modelo de investimento é que as possibilidades de ganho são superiores aos investimentos de renda fixa, mas também possui o risco característico de investimentos em renda variável. Na verdade, o risco desse tipo de operação é muito maior do que o investimento convencional em ações para o longo prazo, com alta chances de perder todo o seu investimento.

O que é investimento de Curto Prazo?

Chamamos de Curto Prazo todas as operações na Bolsa de Valores que duram de 1 a 5 dias. Também conhecidas como Swing Trade, essas movimentações são ideais para quem pode se dedicar ao menos uma vez ao dia ao mercado de ações. Dois pontos principais justificam seu nível de rentabilidade:

Agilidade: na mesma medida em que oferecem tempo de reação, apresentam grande agilidade nos investimentos, o que possibilita ao investidor lucrar com a volatilidade do mercado;

Stop Loss: ferramenta que permite ao investidor controlar as suas perdas, evitando que os seus investimentos provoquem prejuízos maiores.

Indicadores de Curto Prazo

Agora que você já entendeu melhor o conceito de curto prazo, vamos aos indicadores. Como explicamos na primeira aula, um bom investidor não toma como referência apenas um indicador, mas sim o contexto geral apresentado pelo maior número de informações possíveis. Por isso, dedique tempo aos estudos e aumente o seu controle de riscos. Vamos lá:

1. Suporte e Resistência

O suporte é uma representação gráfica do ponto onde, em geral, as ações em queda pararam de cair e começaram a subir. Quanto mais a ação atingir esse patamar e voltar a subir, mais confiável é o suporte.

Esse ponto representa, na maioria das vezes, uma boa oportunidade de compra. Ele é representado no gráfico de ações através de uma linha horizontal que marca de forma nítida o preço de suporte.


Essa movimentação acontece com base na premissa de que se o preço de uma ação voltou a subir repetidas vezes quando atingiu o suporte é porque provavelmente existe uma grande demanda pelos papéis naquele valor.

Já a resistência tem a mesma premissa, mas na situação inversa. Ela também é representada por uma linha horizontal que determina o ponto onde, historicamente, as ações de uma determinada empresa geralmente pararam de subir e voltaram a cair. Quanto mais próxima a ação chegar desse patamar e voltar a cair, mais confiável será a resistência.

O momento em que os papéis atingem a resistência pode indicar uma boa hora de o investidor se desfazer dessas ações.


2. Índice de Força Relativa (IFR)

Na imagem abaixo é possível ver uma linha abaixo do gráfico de preços que varia bastante. Esse é o Índice de Força Relativa (IFR) que, de maneira resumida, ilustra o volume de dinheiro investido na ação em um determinado momento. Esse dado demonstra a atuação das forças compradoras e vendedoras. Também é chamado de RSI, sigla do inglês que significa Relative Strength Index.


O índice varia de zero a cem. Quando o IFR é maior do que 70 (zona de sobrecompra), normalmente a força compradora está perdendo fôlego e a ação tende a cair no curto prazo antes de seguir a tendência principal de alta. Quando ele é menor do que 30 (zona de sobrevenda), pode indicar que a força vendedora está enfraquecendo e é possível que a ação suba antes de seguir a tendência principal de queda. Esses valores costumam variar de ativo para ativo, não são regras fixas.

3. Bandas de Bollinger

Os preços das ações quase sempre respeitam um limite na sua volatilidade. A função das Bandas de Bollinger é justamente identificar os limites de alta e baixa em cada papel para auxiliar os investidores a identificar oportunidades de compra e venda. Elas são representadas por duas linhas paralelas azuis, conforme indicado pelas setas no gráfico abaixo.


Fica mais fácil entender esse conceito com um exemplo:

Vamos supor que o preço de uma determinada ação oscile, na maior parte do tempo, entre R$22 e R$50. Caso ela chegue a R$20 em um determinado momento, o cenário mais provável é que ela retorne para dentro da faixa observada nos últimos 20 dias, ou seja, entre R$22 e R$50.

4. Volume Financeiro

Como falamos na primeira aula dessa série, o preço das ações é formado pela interação das forças compradoras e vendedoras, ou seja, é a partir das movimentações dos investidores que o valor de uma determinada ação será alterado, para mais (em caso de alta) ou para menos (em caso de baixa).

O Volume Financeiro é o indicador que ilustra a quantidade de dinheiro que foi negociado em um determinado período. Se dez milhões de ações foram negociadas a R$10, por exemplo, o Volume Financeiro seria equivalente a R$100 milhões.

Ele costuma ser ilustrado por um gráfico de barras verdes e vermelhas (como na imagem abaixo) e o seu principal objetivo é apresentar a consistência de uma determinada tendência, ajudando os investidores a detectar oportunidades de compra e venda.


Suponhamos que uma ação rompeu uma resistência, mas apresenta Volume Financeiro baixo. Nesse caso é possível supor que a tendência de alta não é tão consistente. Se, por outro lado, esse mesmo cenário apresenta um volume financeiro maior, a consistência da tendência é maior e a probabilidade é que a ação continue subindo.

Conclusão

Através desses indicadores é possível detectar as melhores oportunidades de compra e venda de ações no curto prazo. Para definir bem como investir dinheiro é importante embasar suas decisões no maior número de informações possíveis, diminuindo as chances de interpretações equívocas e aumentando consideravelmente as possibilidades de ganho.

Se gostou dessa aula, confira a terceira e última parte dessa série sobre Análise Técnica de Ações, explicando cada um dos indicadores de médio prazo (5 a 90 dias).

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