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Começar a investir: 10 erros que os iniciantes cometem

Começar a investir: 10 erros que os iniciantes cometem

Erros ao investir custam tempo e dinheiro. Eu sei, você já deve ter ouvido aquela história de aprender com os erros dos outros. Apesar de ser bastante falada, é a verdade. Não sou masoquista, prefiro esse método, pois é mais eficiente aprender com os erros de outras pessoas.

E mesmo vendo os erros que outras pessoas cometeram, às vezes só aprendemos quando erramos nós mesmos. De qualquer forma, listei aqui alguns erros que são comuns de cometermos quando começamos a investir. Tudo bem se você cometer alguns após ler esse artigo. Na vida a gente ganha ou aprende e o aprender às vezes significa que devemos simplesmente nos preparar mais.

Começando a investir - Erro #1: colocar confiança excessiva em “especialistas”

Todo mundo tem um conflito de interesses com sua riqueza, exceto você.

mercado financeiro trump 

Todos os "especialistas” disseram que Trump perderia. Lembra?

As corretoras de investimentos oferecem produtos para que possam cobrar taxas, os consultores vendem produtos financeiros para que eles possam ganhar comissões. Da mesma forma, os portais de notícias e especialistas que falam na mídia buscam maximizar receitas através de assinaturas e precisam de audiência para vender publicidade, ou seja, preocupam-se mais gerar audiência através do pânico e da ansiedade que ajudar, genuinamente, o investidor iniciante ou intermediário.

Não cometa o erro de confiar cegamente nos especialistas. Principalmente naqueles que não vivem na realidade o que pregam na internet, na mídia tradicional ou nos livros.

Os chamados especialistas costumam opinar e direcionar clientes e seguidores para onde eles devem investir. A opinião desses profissionais são probabilísticas, pois o futuro sempre será imprevisível. Ninguém sabe verdadeiramente o que vai acontecer, incluindo eles. Falam disso com convicção, pois carregam um ar de especialização — na maioria das vezes, dado pela própria mídia a qual eles representam — ou vêm de grandes instituições financeiras. A maioria dos especialistas são treinados em uma escola específica de pensamento e não enxergam fora dela. 

Não há uma única verdade nos investimentos. Com isso dito, eu também acredito que existem muitas pessoas bem intencionadas, honestas e boas fazendo o seu melhor para transmitir conhecimento. Pessoas que falam daquilo que viveram. Não do que leram ou ouviram falar.

Busque seguir e aprender com pessoas que falam daquilo que vivem. Ou seja, se o sujeito fala de independência financeira, é importante saber se ele realmente vive dessa maneira. E se vive, como ele conseguiu? Construiu do zero sua riqueza? Recebeu alguma herança? Vendeu algum negócio familiar? Tudo isso deve ser levado em conta para encontrar conselheiros que partiram de uma realidade parecida com a que você vive hoje. Esse investidor e conselheiro realmente saberá o “caminho das pedras” para te ensinar como você pode chegar no seu objetivo. E se tratando de objetivo, a próxima dica fala de um erro muito comum dos investimentos iniciantes.

Começando a investir - Erro #2: investir sem um planejamento para alcançar o objetivo

Não cometa o erro de passar mais tempo planejando suas férias do que planejando o seu futuro financeiro. Você precisa definir um objetivo e quais passos irá dar para alcançá-lo. É necessário criar um plano disciplinado para alcançar o seu objetivo, seja ele investir para uma viagem, comprar um carro ou a aposentadoria. Esse plano precisa estar pautado na realidade, o contrário disso é aposta e não investimento e pode gerar frustração e desmotivação. 

Existem muitas estratégias de investimento diferentes, mas todas exigem uma implementação disciplinada durante muitos meses ou anos para que você atinja o seu objetivo com sucesso. Isso significa que você não deve investir em boatos, dicas, histórias ou uma expectativa de que o mercado sempre suba. 

Você deve ter um plano baseado na expectativa provável, mas deve estar ciente de que tudo pode dar errado e ir para o caminho contrário da sua expectativa, e o bom investidor deve considerar todos os cenários, os positivos e os negativos e estar preparado para ambos.

Começando a investir - Erro #3: ter a sensação de estar perdendo grandes retornos

Muitos investidores selecionam ativos, estratégias e fundos com base no desempenho positivo recente. A sensação de que “estou perdendo grandes retornos” provavelmente levou mais decisões de investimentos ruins do que qualquer outro fator isolado.

muito dinheiro breaking bad

Se determinados ativos, fundos ou estratégia se saíram muito bem durante três ou quatro anos, sabemos de uma coisa com certeza: deveríamos ter investido três ou quatro anos atrás. Agora, no entanto, o ciclo que levou a esse bom desempenho pode estar chegando ao fim. Provavelmente o dinheiro inteligente, de pessoas com conhecimento e preparadas, está saindo e o dinheiro inexperiente e sem conhecimento está entrando.

A verdade é que você precisa entender os motivos certos para entrar em uma ação e ter um ponto de saída que esteja alinhado com o seu objetivo e plano, que é o que falamos no tópico acima. Não siga o rebanho, continue com o seu plano de investimentos para alcançar o seu objetivo e não seja guiado por essa sensação de estar perdendo um grande investimento ou pelas notícias, que é o próximo erro que comento.

Começando a investir - Erro #4: guiar seus investimentos a partir das notícias

Não invista por notícias. Quando você lê uma matéria sobre uma ação que subiu, uma previsão do dólar ou uma fábrica nova que pode beneficiar uma empresa, essa informação já está ultrapassada. O jornalista que escreveu o artigo entrevistou alguém, redigiu, a redação passou por uma avaliação e só depois disso o artigo foi publicado. Você será o último da fila a saber da novidade.

pesquisa eleitoral 2018

Vai, confia nas notícias pra você ver o que acontece.

Entender o conceito de antifragilidade do Taleb é a melhor forma de especular com títulos, encontrar bons momentos para comprar dólar e gerar dinheiro na Bolsa de Valores. Todo o mercado financeiro gira em torno de expectativas e essa vontade de prever o futuro, achando que sabe mais do que todos os outros investidores, faz com que os preços oscilem para baixo e para cima.

Ninguém compra uma ação pensando que é péssima ou vende um papel imaginando ser o melhor negócio da sua vida. O ativo antifrágil é aquele que melhora independente das notícias ruins e consegue sair mais fortalecido.

A verdade é que dá trabalho estudar, leva tempo e consome energia. As pessoas querem o caminho mais curto, como olhar um gráfico, comprar e vender sem parar, até acertar a grande tacada em algum momento. Se você fácil assim, boa parte das pessoas que estão na Bolsa de Valores seriam ricas e viveriam apenas dos seus investimentos. Preparar-se e buscar conhecimento é o tema do próximo tópico, inclusive.

Começando a investir - Erro #5: esquecer de investir em sua educação financeira

Você deve aprender para conseguir ganhar. Todo investimento que você faz em si mesmo lhe renderá dividendos por toda a vida, falamos disso no próximo item, inclusive. Investir é uma ciência que se aprende, porém ela é mais complicada que parece, pois somos seres humanos emocionais disfarçados de decisores racionais. Nossas decisões são afetadas por nossos valores, humores, experiências anteriores, ganância e medo. No entanto, persistimos na ilusão de que sempre vamos investir logicamente.

Você já deve ter ficado com vontade de comprar uma ação por que ela está subindo. Aconteceu isso com o Bitcoin recentemente. A moeda não parava de subir e muita gente investiu o que não podia comprando crendo que o valor dela iria aumentar ainda mais.

Essas decisões são tomadas a partir das emoções, da ganância, do medo de que não haverá nunca mais oportunidades como aquela e influenciadas pelo efeito da boiada, conforme falamos no tópico #4. 

Quando nos qualificamos e investimos em nossa educação financeira com profissionais sérios, aprendemos a controlar as emoções e olhar o mercado de um prisma mais racional. Também entendemos que oportunidades de alta e baixa acontecem a todo momento, precisamos aprender a enxergá-las antes que ela aconteça para aproveitar e obter bons retornos. Quem investe baseado somente nas emoções perde dinheiro para quem investe baseado em conhecimento, experiências e racionalidade.

Começando a investir - Erro #6: é mais importante aumentar a sua receita que economizar migalhas

Nenhum investimento renderá tantos frutos quanto investir em sua qualificação profissional para aumentar as suas receitas. Quando começamos a investir e descobrimos esse mundo, ficamos maravilhados e queremos economizar o máximo possível para aportar em nossa carteira e aproveitarmos a mágica dos juros compostos.

Poupar e investir é importante, você criará o seu fundo de emergência e começará a planejar a sua aposentadoria ou os passos para alcançar um objetivo. Só que, tão importante quanto gastar menos do que se ganha para investir é aumentar os aportes em sua carteira de investimentos. Aumentar o valor de quanto você aporta mensalmente para investir irá acelerar o crescimento do seu patrimônio e fará com que você chegue mais rápido ao seu objetivo.

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Economizar no cafezinho não o deixará mais rico, talvez, apenas infeliz.

Você fala apenas uma língua? Invista em um curso de inglês ou outro idioma útil para sua área. Algumas pesquisas demonstram que profissionais que falam inglês fluente ganham 60% a mais que outros profissionais da mesma área que falam apenas uma língua. Trabalha como fotógrafo, designer, ilustrador ou outra profissão que dependa de equipamentos? Invista em máquinas melhores para aumentar sua produtividade e qualidade do seu trabalho. Dessa maneira você poderá cobrar mais e aumentar suas receitas. 

Compre cursos, vá a congressos e palestras de sua área, aumente suas habilidades técnicas e qualificações ou abra um negócio para ter uma renda extra. Poupar e investir o que está economizando é importante, mas você não deve se limitar a isso. Invista parte do que economizou em sua carreira profissional, aumente suas receitas e consequentemente os seus aportes na sua carteira.

Começando a investir - Erro #7: não diversificar ou diversificar errado pulverizando investimentos

Diversificar basicamente é investir em vários títulos ou ações diferentes com o objetivo de diminuir o risco de perda. A diversificação é uma ferramenta valiosa para gerenciar o risco, mas somente quando usada adequadamente.

A diversificação agrega quando é feita em faixas de risco diferentes. Por exemplo, diversificar demasiadamente dentro da Bolsa de Valores não faz sentido, pois nesse caso o investidor está diversificando seus investimentos dentro de uma mesma faixa de risco. Na verdade, ele está é pulverizando o seu dinheiro.

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“Comprei algumas opções para diversificar…”.

O mesmo acontece dentro da renda fixa. Não tem sentido diversificar o capital que você definiu para investir em títulos mais seguros dentro da mesma faixa de risco. Você precisa escolher o título que melhor atende o seu objetivo e investir todo o dinheiro que definiu para aquela faixa de risco nesse título. A diversificação precisa acontecer em faixas de riscos diferentes, por exemplo: 50% do capital em títulos de baixo risco, 30% em títulos com risco médio e 20% em investimentos de alto risco.

O mercado financeiro compra bem essa teoria de diversificar. Ela é realmente confortável, pois reduz a necessidade de estudar e planejar. O investidor pode simplesmente comprar de tudo e, caso algo dê errado, não perderá “muito”.

Os grandes investidores que ficaram famosos, no entanto, fizeram exatamente o oposto. Eles direcionaram o foco dos investimentos em uma única empresa ou ideia. Não estou dizendo que essa é a melhor estratégia para nós, meros mortais, mas é uma informação que nos faz refletir. O que acontece é que ao reduzir os riscos, também reduzimos os retornos. Pense nisso e avalie se não está pulverizando os seus investimentos.

Começando a investir - Erro #8: pensar somente a curto prazo

Demoramos nove meses só para sair da barriga da mamãe. E tem gente que quer ficar milionário em oito. É mole? Deixemos isso para os adolescentes... É claro que podemos ter objetivos de curto e médio prazo, por exemplo, uma viagem para o exterior (24 meses investindo), a compra de um apartamento (240 meses investindo).

É, amigo. Comprar um apartamento à vista investindo exigirão em torno de dez anos de investimentos. Claro que depende dos seus aportes e retornos, mas vamos projetar na realidade da maioria, portanto, pense a longo prazo. Longo prazo são trinta, quarenta, cinquenta anos.

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Vivemos em uma geração imediatista que se irrita ao ter que esperar em uma fila quando ocorre algum atraso. A vantagem que podemos tirar disso é treinando nossa mente para pensar exatamente o contrário. Se você quer investir buscando a sua independência financeira ou aposentadoria, precisa encontrar investimentos adequados com o seu horizonte de tempo e ter paciência. Sempre planejando seus retornos dentro dessa realidade de tempo, caso contrário irá se frustrar e ficará desmotivado.

Em geral, a maioria dos investidores está concentrada demais no curto prazo. Querem resultados rápidos e com isso fazem as burradas que ajudam a enriquecer aqueles que calmamente pensam a longo prazo.

Os investidores que pensam no longo prazo observam o caos com tranquilidade, enquanto todos estão apavorados correndo atrás do próprio rabo perdendo dinheiro e se frustrando, eles sabem aonde querem chegar e possuem o plano traçado.

Começando a investir - Erro #9: subestimar suas habilidades e potencial

Alguns investidores novatos tendem a acreditar que nunca conseguirão se sobressair no mercado financeiro. Que todo o sucesso do mercado de investimentos é reservado apenas para alguns investidores sofisticados.

Essa percepção não tem verdade alguma e, muitas vezes, ela é pregada pela própria mídia que insiste em chamar os palpiteiros que vão em jornais e redações de especialistas, colocando eles em um patamar muito acima do investidor comum que não possui todas as certificações, diplomas e etc.

Esses palpiteiros, vendedores e analistas de investimentos provavelmente digam o contrário, mas a maioria dos agentes do mercado financeiro possuem um desempenho mediano ou até abaixo do mercado em geral. Todas pessoas possuem o potencial para se tornarem suficientemente hábeis para enfrentarem os desafios do mercado e se tornarem bons investidores, mesmo que não trabalhem especificamente com isso ou tenham pouco tempo útil para investir.

Lembre-se no longo prazo que falamos, as habilidades, percepções e experiência também aumentarão conforme o tempo passa e nos dedicamos a aprender e praticar o que estamos aprendendo.

Não subestime suas habilidades ou seu próprio potencial. Isto é, não suponha que você é incapaz de participar com sucesso do mercado financeiro simplesmente por que você trabalha com outra coisa.

Começando a investir - Erro #10: estudar, estudar, planejar e não praticar por medo

Você está planejando e estudando ou enrolando?

Nos últimos anos estamos experimentando uma abundância de informações que, em grande parte, são gratuitas e de fácil acesso. São sites, grupos, páginas, e-books, cursos e palestras, inundando a internet e as nossas caixas de e-mail. Tudo bem fácil, na palma da mão.

Será que o segredo é consumir o máximo possível de tudo? Desse jeito é que aparecem os especialistas, com assuntos cada vez mais supérfluos e debatendo temas completamente inúteis.

— Ah, mas esse investimento que você simulou está descontando a inflação? Trouxe o fluxo de caixa futuro a valor presente?

— Você leu o livro da teoria do infinito das finanças de um autor do Extremistão? Como não? É essencial para investir.

E nessa mania de discutir, refutar e chamar a atenção, permanecem na inércia. Um preciosismo sem sentido, onde perde-se mais tempo criando cronogramas, buscando literaturas perfeitas, do que vivenciando a experiência.

O estudo e planejamento é necessário. Já falamos disso aqui nesse artigo várias vezes, mas a prática...Ah, a prática. É ela que fará você perder o medo e sair da inércia dos palpiteiros que não colocam a pele em risco.

Pratique. Comece investindo pouco, estudando e aprendendo como funciona o mercado. Dessa maneira você perderá o medo e se distanciará dos teóricos preciosistas que falam sobre tudo, mas não praticam nada.

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