dolar vale pena investir

As cotações do dólar começaram a subir em 2015, bateram recordes em 2016 e parecem ter estabilizado esse ano. O valor do dólar comercial, aquele utilizado pelas empresas nas operações de importação e exportação, chegou a ser vendido a R$ 3,30 em março de 2016, maior valor desde abril de 2003 e agora está em R$ 3,09. Já o dólar turismo, usado para emissão de passagens, gastos em moeda estrangeira no cartão de crédito e compras no exterior, bateu a casa dos R$ 3,24 no mesmo dia.

Estudo da cotação do dólar

Se compararmos esses valores com as mesmas datas do ano passado, percebemos uma grande diferença. O dólar comercial estava a R$ 3,60 para compra e o turismo em R$ 3,72.

Data Cotações
Dólar comercial Dólar turismo
Compra Venda Compra Venda
Março de 2016 R$ 3,60 R$ 3,60 R$ 3,44 R$ 3,72
Março de 2017 R$ 3,08
(-14,4%)
R$ 3,09
(-14,1%)
R$ 2,93
(-14,8%)
R$ 3,24
(-12,9%)

Fonte: Ranking do VET, BACEN

Fundos Cambiais que investem em dólar

Segundo dados da ANBIMA (Associação Brasileira da Entidades dos Mercados Financeiros Capitais), divulgados no final de 2016, os investimentos em fundos cambiais, que têm a variação da moeda americana como indexador de rendimento (se o dólar aumenta, você ganha mais dinheiro), obtiveram a menor taxa de retorno em 2016, com uma média de -12,51% ao ano. Comparando com outros tipos de investimentos, como Tesouro Selic (13,99%) e fundos de Renda Fixa (11,70%), o mercado de moedas foi a decepção dos investidores em 2016.

E separando os rendimentos por semestre, é possível entender o porquê do mercado de câmbio ser considerado tão volátil e de alto risco. De março de 2015 para março de 2016, o dólar se valorizou mais de 40%, porém do mesmo período de 2016 para 2017, a queda foi maior que 14%. Perceba que o investidor de 2015 permaneceu no lucro, mesmo com essa queda, mas aqueles que compraram no ano seguinte ficaram com prejuízo.

Rentabilidades (%) Fundos e Indicadores Selecionados
Período Mensal (%) Anual (%)
Renda Fixa (CDI) +1,09 +13,99
Fundos Cambiais -1,04 -12,51
Ações do Ibovespa +2,77 +38,9

Fonte: ANBIMA e BM&FBovespa

No momento econômico atual, com a desvalorização do real perante a moeda americana e as perspectivas de que a tendência seja de estabilidade nos preços do dólar, investir nesse mercado é arriscado. Se você é uma pessoa que quer um investimento a curto prazo e com menos riscos, o mercado cambial não é indicado, como pode ser visto no período de estudo. Já no médio e longo prazo, a valorização da moeda é totalmente incerta.

Quando buscamos investimentos seguros e para prazos curtos ou médios, o melhor é ficar na Renda Fixa, onde você conseguirá um retorno certo e no prazo que quiser, seja alguns meses ou vários anos. Saiba mais como funciona a Taxa Selic (aqui) e os investimentos que se beneficiam dela.

O que faz o dólar subir ou descer?

Três pontos que podem ser levados em conta antes de investir em dólar: taxa de juros americana, as contas externas brasileiras e a questão política monetária do país, que está relacionada com as condições do governo de realizar ajustes fiscais.

Para entender melhor essas questões, nós do Criando Futuro elaboramos um guia que você confere abaixo.

Pontos a serem observados O pode acontecer com o dólar Qual a previsão
Taxa de juros americana Com o aumento da taxa de juros americana, os investimentos vão para os Estados Unidos, porque o rendimento fica maior. Se a taxa de juros americana aumenta, favorece o investimento em dólar. A previsão era de que o FED (banco central americano) anunciasse o aumento da taxa de juros 3 vezes em 2017, hoje em 1% ao ano.
Contas externas brasileiras Quanto maior a dívida brasileira com o mercado internacional, maior o montante em dólar que o governo precisará para pagar essa dívida. Se a dívida aumentar, favorece o investimento em dólar As contas externas brasileiras registraram no ano de 2016, um déficit (dívida) de US$ 23,5 bilhões, melhor resultado em um ano desde 2007. A previsão atual do mercado para 2018, é de um déficit de US$ 35,65 bilhões.
Política monetária brasileira Está relacionada com as condições do governo de realizar os ajustes fiscais, segurando o aumento da dívida pública e impedindo que as agências de rating rebaixem a nota do Brasil para um mal investimento. Maior arrecadação para o governo, mais estabilidade para o país e, consequentemente, mais investimentos estrangeiros. Se o cenário econômico brasileiro melhorar com os ajustes fiscais, desfavorece o investimento em dólar. Tramitam na Câmara dos Deputados e no Senado várias propostas de ajustes fiscais e da Reforma da Previdência que impactam nessa questão.

Bruno Papi

Investidor desde 2011 na Bolsa de Valores, fundador do site General Investidor e co-fundador do Criando Futuro. Bacharel em Sistemas de Informação, MBA em Gestão de Projetos e cursando pós-graduação em Finanças, Investimentos e Banking pela PUCRS. Já concedeu mais de 50 entrevistas em diversas mídias, além de palestrar em empresas e universidades sobre investimentos.