Bipolar com dinheiro

Salve amigo, tudo bem? Antes de mais nada, queria deixar pública minha gratidão ao Bruno Papi, que abriu as portas para mim em mais uma oportunidade incrível de conversar com você sobre esse tema tão delicado que é o Dinheiro e a Mente; valeu Brunão!

Agradecimento feito, agora ao que interessa. A maioria das pessoas, mesmo que jamais tenha ido a um psicanalista ou a um de seus pares, já ouviu falar expressões como transtorno bipolar, dupla personalidade e entre outros.

E se eu te disser que, sem qualquer transtorno ou síndrome, todos nós temos mais de um “eu”? Sim amigo, por mais que negue, esperneie e grite aos quatro ventos que você não é duas caras, a má notícia (se assim preferir) é que todos somos.

Uma questão de sobrevivência

Por mais autêntico que você acredite ser, todos nós interpretamos personagens diferentes, algumas vezes vários deles, em situações diferentes de nossa rotina. Somos um em um ambiente de baixa censura, como nossa casa e outro em nosso convívio social.

E não há absolutamente nada errado com isso, é uma questão evolutiva de sobrevivência. Imagine se você falasse para o seu chefe tudo o que pensa dele, ou, soltasse um sonoro arroto em uma reunião de negócios? Ah, agora começou a fazer sentido.

Um dos nomes dados a isso é persona, isso é, nossa máscara social que faz com que a convivência com outros seja possível.

Você, você mesmo…

Há uma dualidade constante em nossas vidas; errado e certo, agradável e desagradável, fazer ou não fazer. Essa dualidade é uma extensão de nosso intelecto, onde dois de você travam batalhas constantes; são sua personalidade racional e emocional.

Razão e emoção agem como duas entidades distintas que, se ignoradas, fazem você viver em constante conflito e, por fim, se enfiar em problemas bem reais, como, endividar-se.

E embora muita gente acredite piamente se tratarem de pessoas estritamente racionais, fato é, as emoções são inatas e a razão é aprendida, assim, aquilo que é instintivo é sempre muito poderoso e rápido, já a razão é lenta e necessita de treinamento.

Basicamente existe um “eu” que está sempre em busca de prazer, como uma criança mimada, e o outro que, sob muitos aspectos, tem a função de impor limites para o mimadinho de plantão que habita nossa cabeça.

…e o dinheiro

O que acontece é que, a maioria de nós ouve mais o “eu mimado” do que imagina (ou do que admitiria) e daí nascem os eternos merecedores de tudo. Aliás o “eu mereço” é um das maiores manifestações do “eu mimado” que existe e serve para convencer o “eu racional” a flexibilizar as regras, afinal, você merece.

E é nessa hora que “merecedores” tornam-se devedores e um ciclo vicioso entre frustração e auto-compensação se estabelece, tendo o consumo como veículo. Em poucas palavras: a fórmula do desastre.

Assim, se os “seus eus” não se conversam de maneira civilizada, isso é, a sua razão qualificando e controlando suas emoções para estabelecer uma relação de equilíbrio entre elas, seu bolso pode sofrer (e muito).

E aí…

É hora de conhecer-se melhor, usar sua razão para entender que, por mais que você ache que mereça tudo, o mundo não dá a mínima para o que acha. Mérito vem de um conjunto de coisas que nada tem a ver com “recompensa pelo sofrimento”.

Trabalhar muito e ganhar dinheiro são partes da equação. A outra parte é ser rigoroso com seus gastos, saber poupar, investir, planejar e aí sim, desfrutar do merecido resultado de seu esforço e disciplina.

Que tal entender de uma vez por todas que, cabeça ruim é igual a bolso furado? Lhe desejo uma vida plena e próspera caro leitor e espero lhe encontrar em breve. Um abraço!

Renato De Vuono

Apaixonado por se comunicar e ajudar pessoas, acredita na educação financeira como instrumento transformador. Está estudando Psicanálise para entender como as emoções afetam a razão e as decisões. Fundador/idealizador, sócio e diretor financeiro da WEME/Galileo. Idealizador e fundador do site Café com Finanças, colunista e content manager no Dinheirama.com.