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As maiores lições do livro A Bola de Neve

As maiores lições do livro A Bola de Neve

Neste texto, irei apresentar as maiores lições sobre o livro A Bola de Neve, a biografia da pessoa mais conhecida no mundo dos investimentos: Warren Buffett. Assim, este artigo está dividido da seguinte forma:

  • Introdução: estrutura do livro
  • A vida de Warren Buffet
  • Warren Buffett e Benjamin Graham: parceria de sucesso
  • Berkshire Hathaway: o maior legado empresarial de Buffett
  • Sobre tecnologia e placares
  • Os Dias Atuais

Boa leitura!

Introdução: estrutura do livro

Esse livro é uma biografia do maior investidor de todos os tempos, Warren Buffett, e por consequência, de um dos homens mais ricos do planeta. O livro A Bola de Nove detalha os fatos da trajetória de vida de Buffett, sendo composto por cerca de mil páginas, mostrando seu profundo conhecimento, instinto empresarial e sua enorme capacidade de fazer amigos. Sua trajetória é um verdadeiro MBA em negócios, com ensinamentos valiosos que podem servir como guia para aqueles que buscam algum sucesso, me arrisco em dizer, em qualquer área.

Sua história foi contada pela escritora americana, Alice Schroeder, a qual teve contato com o próprio Warren Buffett e com seus amigos mais próximos. A autora teve acesso aos detalhes mais profundos sobre a vida de Warren, de como construiu sua fortuna, quais foram seus alicerces, mantendo sobretudo suas convicções, ideias e valores.

A Vida de Warren Buffett

Warren Buffett nasceu em 1930 na cidade Omaha, estado do Nebraska, que fica no meio-oeste dos EUA, sendo o segundo de três filhos e único filho homem de Howard Buffett com Leila Stahl. Seu pai teve a audácia de criar uma pequena corretora de valores justamente durante a Grande Depressão da década de 30, sendo eleito para o Congresso Americano por 4 mandatos, tendo seu avô sido dono de uma loja de produtos alimentícios na então pacata cidade de Omaha. Buffett nasceu de uma família de comerciantes e afirma ter sido grato por ter sido criado numa família de princípios éticos e morais. Também é interessante trazer o fato de que Warren não vinha de uma família estava nem perto de ser rica, tendo passado também por dificuldades e limitações financeiras, principalmente nos primeiros anos.

Quando eu era criança, tive toda sorte de privilégios. Tive a vantagem de viver numa casa em que as pessoas falavam sobre coisas interessantes, tive pais inteligentes e frequentei boas escolas. Duvido que pudesse ter sido criado por pais melhores que os meus. Isso foi de uma importância enorme. Meus pais não me deram dinheiro, e sinceramente eu não queria nenhum. Mas nasci no lugar e na hora certos. Tirei a sorte grande na Loteria do Ovário” (A BOLA DE NEVE, pág. 55).

Vida política do pai e relação conturbada com a mãe

Seu pai foi um congressista que tinha muita firmeza em suas convicções. Entretanto isso muitas vezes o isolou dentro do partido republicano, a ponto de inclusive perder uma eleição. Warren teve uma relação bastante difícil com sua mãe, que era uma pessoa difícil com as duas irmãs de Buffett, Bertie e Doris, fato diversas vezes citado no livro. Apesar da mãe de Warren ter vivido até 1996, ou seja, até os 92 anos, ela praticamente só foi citada no início da obra. Principalmente depois que Warren se casou, desapareceram as menções à Leila, sua mãe.

Buffett casou-se com Susan Thompson em 1952 (aos 22 anos), e tiveram três filhos: Susie, Howie e Peter. Logo depois de concluir os estudos e de se casar, Buffett viveu um curto período de tempo em Nova York, numa casa alugada, trabalhando com compra e venda de ações numa firma de corretagem, mas decidiu voltar para Omaha assim que teve uma chance.

Infância de Buffett

a bola de neve buffett e as irmas

Warren Buffett com suas irmãs reproduzindo a mesma foto tirada em sua infância.

Apesar de Buffett ter alcançado um sucesso sem igual durante a sua vida, ao longo do livro você vai acabar admitindo internamente que ele praticamente nasceu para aquilo, fez tudo que precisava para ter sucesso na área, além de ter nascido na época e na família correta. Nesse contexto, algumas chamam atenção, e demonstram a precocidade de Buffett para os negócios. Nascido apenas um ano após o crash da Bolsa de Nova York, e tendo vivido toda sua infância nos anos da Grande Depressão, é surpreendente a trajetória precoce do pequeno Buffett no mundo dos negócios.

Com apenas 6 anos de idade, já estava vendendo caixas de chicletes e tirando um lucro de dois centavos de cada embalagem. Naquela época, ele demonstrava uma postura de negociador durão com os clientes, algo que viria a ser parte de seu estilo de investir e negociar, mais tarde.

O brinquedo favorito do pequeno Warren Buffett era um porta-moedas de níquel. Um gosto incomum para uma criança, mas faz sentido hoje, não é?

A criança de 7 anos que pede livros de renda fixa de Natal

Buffett também tinha uma sede insaciável pelo aprendizado, e pediu ao Papai Noel, aos 7 anos, como presente especial de Natal, seu livro favorito sobre títulos de renda fixa, Bonds salesmanship, de Townsend.

No entanto, ele também tinha os divertimentos típicos de uma criança. Buffett também gostava de brinquedos, brincadeiras com outras crianças de sua idade, apesar das limitações financeiras. Por exemplo, ele tinha uma ferrovia oval de brinquedo, muito simples, mas queria um modelo mais caro, cheio de locomotivas, paisagens e luzes daquele que tinha visto quando passou em frente a uma vitrine de uma loja. Entretanto, o mais perto que conseguiu disso foi comprar um catálogo que descrevia o brinquedo:

Se você fosse um menininho com uma pequena ferrovia oval de brinquedo, olhar para aquele negócio seria a coisa mais inacreditável. Paguei com o maior prazer os 10 centavos pelo catálogo de trens em miniatura e ficava simplesmente olhando para ele, fascinado” (A BOLA DE NEVE, pág. 63).

O certificado mais importante de Warren Buffet

Aos 8 anos, para melhorar suas habilidades em se relacionar com as pessoas, uma vez que ele era um garoto tímido que não se dava muito bem com as garotas (embora gostasse de se relacionar com amigos mais velhos, sempre), Buffett leu um livro cujo título lhe tinha seduzido “Como fazer amigos e influenciar pessoas” de Dale Carnegie. Com 9 anos de idade, ele lia “The Trader“, da revista Barron´s, leu também todos os livros da estante do seu pai, que era corretor de valores. Aos 10 anos, seu pai o levou para visitar Wall Street, tendo então se deparado com o sócio majoritário do Goldman Sachs, um dos figurões da Bolsa de Nova York da época.

Sua primeira experiência pratica na bolsa de valores foi com 11 anos de idade, quando comprou três ações da Cities Services por US$ 38 cada, para ele e Doris, sua irmã mais velha. O problema é que logo em seguida as ações caíram para US$ 27. Apesar disso, ele manteve as ações em carteira, porém, assim que elas atingiram US$ 40, as vendeu rapidamente. Isso acabou se revelando um mal negócio, pois, logo em seguida, as ações da Cities Service dispararam para US$ 200. Já na infância Buffett tivera uma de suas mais preciosas lições: bolsa de valores é para investidor de longo prazo.

Com 12 anos, Buffett começou a trabalhar como entregador de jornais, usando sua velha bicicleta.

Com 14 anos, ele entregou sua primeira declaração de imposto de renda, tendo pago apenas 7 dólares. Teve a perspicácia de colocar seu relógio de pulso e sua bicicleta como despesas operacionais, deduzindo-as do valor a ser pago.

Finalmente, aos 16 anos, na formatura do ensino médio, ele determinou o seu próprio destino, ao escrever “futuro corretor de valores” como legenda da sua fotografia no livro do ano.

A vida é feita de erros e acertos, até a de Buffett

O livro também busca mostrar que Buffett, por mais que tenha sido muito criticado por vários anos por não doar parte do seu dinheiro, por passar a maior parte de sua vida rolando sua grande bola de neve, é perceptível que sua vida não foi feita apenas por acertos e sucessos, na verdade existiram muitas falhas em seu convívio social e, principalmente, com sua família, que deixaram marcas profundas no “oráculo de Omaha”. Além disso, muitas das coisas que ele não fazia era por ter um propósito maior, como a fato de não ter doado grandes quantias por boa parte de sua vida.

É oportuno observar que tanta dedicação aos negócios acabou saindo caro para ele. A separação de sua esposa, Susan, que não achava correto Warren se preocupar somente com o dinheiro, deixando a família em segundo plano. Embora seus filhos fossem educados segundo os mesmos princípios com que ele tinha sido educado, e ainda que o casal Buffett participasse das atividades sociais de Omaha, a relação foi se desgastando, de modo que o casal passou a viver separado a partir de 1977, quando Susan foi morar em São Francisco e continuaram assim até 2004 (ano de morte de Susan), embora ainda aparecessem publicamente, em eventos sociais, como se casados fossem.

Por volta dos anos 70, Astrid Menks, que trabalhava no escritório de Buffett, passou a desenvolver uma relação mais íntima com ele, principalmente por incentivo da sua própria esposa Susan, que estava preocupada com a situação de Buffett caso ela não estivesse mais presente. Ela sabia que seu marido era extremamente dependente dela para atividades do dia-dia - um fato que foi bem documentado no livro. Com Astrid fazendo parte do relacionamento, Susan era a esposa oficial, com quem Warren compartilhava as aparições no círculo social. Mas, dentro de casa, em Omaha, era Astrid quem de fato cuidava de Buffett.

O maior erro de Buffet

A separação e morte de Susan (em 2004, de derrame, mas em consequência de um câncer oral cujo tratamento estava sendo bastante doloroso), provocou em Buffett um forte impacto, uma vez que ele dependia dos cuidados de Susan, que era, afinal, a mulher que lhe fornecia todo o suporte emocional. Buffett considera a separação o maior erro de sua vida:

Foi algo que podia ter sido evitado. Não deveria ter acontecido. Foi meu maior erro. Essencialmente, qualquer coisa que eu tenha feito com relação à partida de Susie terá sido o meu maior erro. Com certeza, 95% foram culpa minha – não se discute. Talvez minha culpa tenha sido até 99%. Eu simplesmente não estava sintonizado o bastante, e ela sempre estivera perfeitamente sintonizada em mim. Sempre fez tudo para mim, praticamente tudo. Mas, você sabe, meu trabalho estava ficando mais e mais interessante com o passar do tempo. Mas ela cuidou de mim por muitos e muitos anos e contribuiu com a educação das crianças em 90%. Ela me amava e ainda ama. Nós temos um relacionamento incrível. Ainda assim… Não deveria ter acontecido. E foi tudo culpa minha” (A BOLA DE NEVE, pág. 471).

Apesar da sua riqueza, Warren Buffett sempre evitou a ostentação. Ele se remunera em cerca de US$ 100.000 por ano, o que o coloca na classe média alta nos EUA. Buffett ainda mora na mesma casa simples de Omaha – Nebraska, que comprou em 1958 e veste sempre ternos simples. Nos seus primeiros dias como multimilionário, longe ainda dos bilhões de hoje, ele andava com buracos nas solas dos sapatos. Para Buffett, o guarda-roupa não importa; importa é ganhar dinheiro. E ele faz isto melhor do que qualquer outro. Em 2008, a Forbes o classificou como o homem mais rico do mundo, com um patrimônio líquido de US$ 62,3 bilhões.

Warren Buffett e Benjamin Graham: uma parceria de sucesso

A filosofia de investimento de Buffett, adaptada do seu mentor, o guru dos investimentos Benjamin Graham, é simples: procure empresas cujos preços das ações sejam menores do que o valor intrínseco da organização e invista de acordo. Buffett não se preocupa com os altos e baixos temporários do mercado. Ele investe no longo prazo, concentrando-se nos fundamentos corporativos sólidos das empresas e na sua capacidade de gerar lucros superiores ano após ano. Foi por meio deste processo simples, sublinha Schroeder, que ele fez a sua fortuna. Obviamente, a habilidade lendária do “Oráculo de Omaha” de separar as empresas ganhadoras das perdedoras é muito mais fácil de descrever do que de realizar. Então como Buffett se tornou o melhor avaliador e selecionador de empresas do mundo?

Como o próprio Warren Buffett costuma dizer: “A intensidade é o preço da excelência. ” E talvez poucas frases possam resumir tão bem sua vida, pessoal e profissional, quanto esta. Outro ponto interessante é a afinidade de Buffett por números e pela lógica, junto à sua busca constante pelo conhecimento e excelência o levaram ao topo do mundo. Chegando ao cúmulo de levar manuais de empresas e contabilidade para sua lua de mel. Esse tipo de “intensidade” transformaram um menino humilde de Omaha em um dos homens mais ricos e poderosos do mundo.

Avareza ou visão de longo prazo?

Mesmo tornando-se um bilionário, Warren não achava justo conceder fortunas aos seus filhos pelo simples. pois prezava acima de tudo a meritocracia. No entanto, o livro conta uma história engraçada de quando Kay Graham, sua melhor amiga, lhe pediu 10 centavos emprestados para dar um telefonema, então ele pegou a única moeda que tinha, de 25 centavos, e saiu correndo para trocá-la antes de dar o valor à amiga. Buffett explica que toda a sua vida de privações financeiras foi o que o levou mais rápido para o primeiro milhão de dólares aos 25 anos de idade, o que iniciou a sua bola de neve.

Berkshire Hathaway: o maior legado empresarial de Buffett

Foram tantas as aquisições que Warren Buffett fez com a Berkshire Hathaway ao longo dos anos que fica impossível de lembrar ou descrever uma por uma. Uma rápida pesquisa mostra que em 2007, o valor da empresa estava em torno de 200 bilhões de dólares.

No auge da fama, uma reunião da Berkshire chegou a reunir 20 mil pessoas. Credenciais para participar do evento eram vendidas de forma inédita no site do Ebay, afinal, o evento não era uma simples reunião de acionistas. Buffett percebeu a grandiosidade do evento e enxergou uma grande oportunidade para fazer ainda mais renda. Alugou um lugar grande o suficiente para conseguir juntar diversos stands de suas outras empresas para comercializar os seus produtos, como os doces da Sears, além da propaganda que gerava para as suas marcas.

No entanto, é importante salientar que a Berkshire foi comprada por Warren Buffett depois que o executivo-chefe da empresa descumpriu um acordo que havia feito com ele. Após esse episódio, Warren passou a comprar todos os papeis que encontrava da empresa. 

Como a Berkshire deu prejuízos por algum tempo, muitos "especialistas" criticaram Buffett por essa manobra, mas no final ele provou estar certo, porque os seus resultados o levaram a ser um dos homens mais ricos do mundo, enquanto os "especialistas" que só deram palpites não realizaram nenhum feito memorável.

Investir apenas no que domina

Warren nunca investiu em nenhuma empresa de tecnologia e foi questionado por isso a sua vida toda, ele afirmava que não entendia do ramo de computadores, mesmo tendo Bill Gates como um de seus grandes e melhores amigos. Para ele, ter amplo e completo conhecimento do negócio no mundo dos investimentos é um fator fundamental. Dizia que empresas de tecnologia surgem e desaparecem de uma hora para outra, e esse não é o tipo de investimento que lhe agrada ele.

Ele respondia as críticas explicando uma teoria que chamava de placar interno e placar externo. Para ele, o importante era saber que ele estava fazendo a coisa certa, pois foi educado com valores conservadores e o que os outros pensavam tinha pouca importância, quem se importa com o pensamento dos outros é porque se preocupa muito em agradar ao mundo.

Podemos resumir a lição colocando essas 2 alternativas para um investidor: 

  1. Investir em ações de uma empresa que conhece a área e sabe avaliar as oportunidades de lucro ou prejuízo.
  2. Investir com base em dicas ou na ação que está sendo mais falada, mesmo que não saiba nada do negócio ou das perspectivas do mercado.

Buffett sempre escolhe a 1ª alternativa. Mas ele nunca para de estudar, por isso também pode aprender sobre uma nova área e investir nela quando sentir-se seguro.

Os Dias Atuais

O fato é que Buffet passou horas enterrado em bibliotecas e arquivos, examinando registros que ninguém se dava o trabalho de olhar. Passou noites e noites estudando centenas de milhares de números que queimariam os olhos de qualquer pessoa normal. Assim como você, ele leu todas as biografias que encontrava com objetivo de encontrar alguma lição que pudesse usar para si.

Hoje, Warren Buffett não é mais o mesmo, sua idade deixou suas vistas cansadas, precisa ser mais seletivo com o que lê pois não consegue ler mais tudo o que gostaria, se rendeu e concordou em usar um aparelho de surdez. Entretanto, a sua capacidade para os negócios, essa sim, não se cansa nunca. 

Notícias sobre o seu futuro sucessor como CEO da Berkshire sempre surgem, o livro não dá nenhuma dica de quem poderia ser, a não ser a de que não será nenhum membro da sua família. Provavelmente, o seu grande amigo e sócio, Charlie Munger.

Quer ler a história completa de Buffett? Recomendo fortemente que adquira o livro A Bola de Neve (link).