Aulas

O Brasil está em Recessão? O que é Recessão?

O Brasil está em Recessão? O que é Recessão?

Para entender a recessão, vamos fazer uma rápida viagem ao tempo e compreender a origem deste fenômeno econômico.

Durante milênios, os bretões usaram o bronze para produzir ferramentas e joias, como moeda de troca, mas isso começou a mudar por volta do ano 800 A.C.:

O valor do bronze diminuiu, causando agitação social e uma crise econômica, o que chamaríamos hoje de recessão.

O que causa as recessões?

Bretoes em Roma

Há tempos, tal pergunta tem sido o tema de debates acalorados entre os economistas, e por boas razões.

Uma recessão pode ser um leve declínio da atividade econômica em um único país e que pode durar meses, uma desaceleração duradoura com ramificações globais por anos ou qualquer coisa do gênero.

A situação se complica mais, há inúmeras variáveis que contribuem para uma economia saudável, tornando difícil apontar as causas específicas.

Então, é bom começar com a visão geral:

Recessões ocorrem quando há uma ruptura negativa do equilíbrio entre a oferta e a procura.

Há uma divergência entre quantos produtos as pessoas querem comprar, a quantidade de produtos e serviços que os produtores conseguem oferecer e o preço de venda, o que favorece um declínio econômico.

Uma relação econômica entre a oferta e a procura reflete-se nos índices da inflação e dos juros.

A inflação acontece quando os produtos e serviços ficam mais caros. Em outras palavras, o valor do dinheiro diminui.

Ainda assim, a inflação não é necessariamente algo ruim. De fato, pensa-se que um baixo índice de inflação encoraja a atividade econômica, mas uma inflação alta que não seja acompanhada de grande demanda, pode causar problemas para uma economia e, por fim, conduzir a uma recessão.

Entretanto, as taxas de juros refletem o custo do endividamento para pessoas e empresas.

O índice é tipicamente uma porcentagem anual de um empréstimo que os devedores pagam aos credores até que ele seja quitado.

Baixas taxas de juros significam que as empresas podem contrair mais empréstimos, os quais podem ser usados para investir em mais projetos, porém, altas taxas de juros aumentam os custos para os produtores e consumidores, desacelerando a atividade econômica.

As flutuações na inflação e nas taxas de juros podem nos dar uma visão da saúde da economia, mas, em primeiro lugar, o que causa essas flutuações?

As causas mais óbvias são impactos tais como desastres naturais, guerras e fatores geopolíticos.

Por exemplo, um terremoto pode destruir a infraestrutura necessária para a produção de importantes insumos, como o petróleo.

Isso obriga os produtores a cobrarem mais pelos produtos à base de petróleo, desencorajando a procura e favorecendo uma recessão em potencial, mas algumas recessões ocorrem em tempos de prosperidade econômica, possivelmente até por causa da prosperidade em si.

Alguns economistas acreditam que a atividade empresarial de uma expansão de mercado possa, por vezes, atingir um nível insustentável.

Por exemplo, as corporações e os consumidores talvez contraiam mais empréstimos presumindo que o crescimento econômico os ajudará a lidar com essa nova dívida, mas se a economia não crescer tão rápido quanto se espera, eles poderão acabar com mais dívidas do que podem suportar.

Para pagar, terão que redirecionar fundos de outras atividades, reduzindo a própria atividade empresarial.

A psicologia também pode contribuir para uma recessão, pois a economia em geral é muito movida pelo otimismo ou o pessimismo dos consumidores, por isso um dos índices mais acompanhados pelo mercado financeiro é o índice de confiança do consumidor.

O medo da recessão pode se tornar uma profecia que se cumpre, caso as pessoas deixem de investir e gastem menos.

Como resposta, os produtores podem cortar custos operacionais para ajudar a resistir ao declínio esperado da procura.

Isso pode levar a um ciclo vicioso à medida que as reduções de custos atinjam os salários, diminuindo ainda mais a procura.

Medidas políticas podem gerar Recessão

impressora dinheiro

Políticas desenvolvidas para ajudar a prevenir as recessões podem contribuir para agravá-la.

Em épocas difíceis, os governos e bancos centrais podem imprimir dinheiro, aumentar os gastos e baixar as taxas de juros do Banco Central.

Por sua vez, pequenos credores podem diminuir as taxas de juros deles, fazendo com que a dívida fique mais "barata" para estimular os gastos, mas tais políticas não se sustentam e, por fim, precisam ser revertidas para prevenir a inflação excessiva.

Isso pode causar uma recessão se as pessoas tiverem se tornado muito dependentes do crédito barato e do incentivo do governo.

A recessão do bronze na Bretanha chegou ao fim quando a adoção do ferro ajudou a revolucionar a agricultura e a produção de alimento.

Os mercados modernos são mais complexos, o que faz com que as recessões de hoje sejam muito mais difíceis de gerenciar, mas cada recessão fornece novos dados para auxiliar a antecipar e responder a recessões futuras com mais eficiência.

Quer aprender como organizar as finanças e fazer renda extra? 
Entre no nosso Treinamento de Educação Financeira (gratuito e online)

O Brasil está em Recessão?

Agora que já sabemos o que é uma recessão, vamos entender como identificar esse cenário em uma economia, como a do Brasil. 

Para se definir em que fase a nossa economia está é preciso avaliar determinados indicadores e fazer uma comparação com os valores históricos.

Neste sentido, surge o importante conceito da recessão técnica que ocorre quando há crescimento negativo do Produto Interno Bruto em pelo menos dois trimestres consecutivos.

Quais indicadores observar para avaliar uma possível recessão?

  • O Produto Interno Bruto (PIB);
  • A taxa básica de juros (Selic);
  • O índice de inflação, representado pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA);
  • O Índice de Confiança do Consumidor (ICC), medido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Deixando de lado o aspecto meramente técnico, recomendo acompanhar esses dados para que entenda como o comportamento da população impacta na economia como um todo.

Apesar do PIB ser o valor de maior importância no final, os outros parâmetros dão uma ideia geral de como o PIB chegou naquele resultado.

Por exemplo, caso o país tenha uma baixa taxa de juros  impulsionando o aumento de dívidas através de empréstimos  mas, mesmo assim, a inflação continue em queda, pode significar que a demanda não está alta e, por isso, os preços estão sendo reduzidos. Da mesma forma, caso a confiança dos consumidores não esteja em crescente, podemos presumir que não existe um aumento de consumo previsto para o curto prazo, o que nos remete a mais queda na inflação e potencial redução do PIB ao final daquele período.

Resumindo, não podemos avaliar a situação de um país por um único dado isolado, mas é possível ter uma ideia do que nos espera analisando os principais indicadores da nossa economia.

Espero que tenha gostado dessa aula mais técnica e, caso tenha alguma dúvida, deixe nos comentários abaixo!