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Como escolher o melhor Fundo de Ações em 12 passos

Como escolher o melhor Fundo de Ações em 12 passos

Você já investe em ações? Venho te dizer que se a resposta for não, já passou da hora de incluí-las em seu portfólio, seja diretamente, seja através de um fundo de ações. Seja qual for o nível dos preços, é importante ter sempre um pé na renda variável. Há um consenso entre especialistas de que estamos em um novo grande ciclo de valorização da Bolsa, mas isso não é o mais importante.

Quando a taxa de juros no Brasil era superior a 10% a.a. eu até poderia concordar com você que os investimentos em renda fixa ofereciam retornos bem consideráveis e com um nível de risco baixo. Mas, atualmente, com a taxa Selic (taxa básica de juros do país) cotada a 4,25% ao ano, descontando a projeção de inflação e os impostos você demoraria várias décadas para duplicar o seu patrimônio.

Não posso deixar que você continue investindo apenas em renda fixa e perca grandes oportunidades de ganhar dinheiro. Para você que quer investir em ações, mas que não sabe ao certo como escolhê-las e como montar uma carteira diversificada, os fundos de ações podem ser uma ótima alternativa. Se você ficou curioso e deseja saber mais sobre esta aplicação esse é o lugar certo! 

Neste artigo, você aprenderá mais sobre ela, saberá como escolher o fundo de ações ideal para você e onde encontrar todas as informações para tomar sua decisão.

O que são fundos de ações?

Um fundo de ações é uma carteira de ativos de renda variável, ou seja, ações, derivativos, opções, entre outros. Ao aplicar em um fundo desse tipo, você está comprando uma cota (uma parcela) dele e confiando o seu dinheiro a um gestor que vai executar uma estratégia de investimentos predeterminada.

O seu funcionamento é semelhante a um condomínio, ou seja, todos os custos e benefícios são divididos entre os cotistas, de forma proporcional a quantidade de cotas de cada um. Assim, ao investir em um fundo de ações, você aporta o valor desejado e o rendimento total consiste no desempenho dos ativos que compõem o portfólio menos os custos relacionados a eles.

Os principais benefícios dos fundos de ações

Maior diversificação dos investimentos

Investir em fundo de ações confere a oportunidade de investir em dezenas de empresas através de um único investimento. Elas podem pertencer a um mesmo segmento da economia ou vários, serem todas preferenciais (PN) ou ordinárias (ON) ou uma mistura de tudo isso.

De forma geral, quanto maior for a diversificação, menores serão os riscos, e maiores serão as suas chances de lucrar no longo prazo.

Necessidade de poucos recursos

Quem opta por fundos de investimento consegue encontrar opções atraentes mesmo com pouco dinheiro disponível. Há fundos no mercado com aplicação mínima de R$ 1.000,00, por exemplo.

Diluição dos custos

Em um fundo de ações, assim como os lucros, os custos e despesas também são compartilhados. Por exemplo: se o administrador do fundo resolve retirar uma empresa da lista de ações que compõe o fundo e incluir outra, os custos de compra e venda (taxas de corretagem, emolumentos, etc.) gerados são divididos entre os participantes do fundo.

Gestão feita por profissionais especializados

Com um fundo de ações, você não precisa se preocupar com estratégias e com a tomada de decisões de quando comprar e vender determinada ação.

Os fundos são geridos por profissionais especializados que estarão sempre acompanhando as oportunidades do mercado e terão uma estratégia de investimento que visa obter o melhor retorno possível.

Como consequência, os resultados podem ser bem superiores aos que seriam alcançados se você operasse sozinho na bolsa de valores.

Menos burocracia para quem investe

A figura do administrador faz com que os fundos sejam menos burocráticos do que outras formas de investimento. Esse profissional cuidará de todos os detalhes para assegurar que cada aplicação siga as regras do fundo.

Além disso, também é responsabilidade do administrador recolher os impostos referentes às transações. Assim, o cotista já recebe os valores líquidos quando resgata e não precisa se preocupar com os cálculos.

Resultados mais fáceis de acompanhar

Os fundos emitem relatórios periódicos, disponibilizados em suas respectivas páginas e no site da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), para seus cotistas mostrando o desempenho obtido em diversos períodos e comparando-o com os principais indicadores do mercado.

Dessa forma fica muito mais fácil acompanhar todas as informações referentes ao seu investimento, poupando a necessidade de procurar informações de diversos produtos financeiros em lugares diferentes.

12 Passos para escolher um Fundo de Ações

Os fundos de ações tendem a ser mais seguros do que aplicar o seu dinheiro de forma independente. Mas isso não é uma regra, há fundos com rendimento pouco atrativo ou carteira com risco elevado. Dessa forma, você precisa fazer uma boa avaliação do fundo antes de adquirir suas cotas.

A escolha do fundo apropriado para você deve ir além de analisar rendimentos passados. Tenha em mente que no mercado financeiro, rentabilidade passada não é garantia de retorno futuro.

Listamos alguns passos que te ajudarão a escolher um fundo de ações apropriado para você. 

1. Entenda seu perfil

Antes de realizar qualquer investimento, você precisa conhecer o seu perfil de investidor. Cada pessoa possui uma condição financeira, um nível de conhecimento e dedicação, um objetivo e uma disposição a correr riscos diferente, logo, cada investidor possui um perfil diferente.

Por isso, você deverá saber exatamente qual o seu perfil de forma a escolher um fundo condizente, dentro da sua tolerância a risco.

2. Defina seus objetivos e prazo de aplicação

É importante que ao entrar em um fundo de ações você tenha em mente que essa é uma aplicação de longo prazo. É desejável que você permaneça lá por um período de pelo menos 3 a 5 anos.

Entenda seus objetivos e verifique se o prazo de liquidez do fundo está de acordo com o que você deseja. Além disso, vale a pena verificar as regras de resgate do fundo antes de concluir a aplicação, pois em caso de um imprevisto, quando é preciso sacar o dinheiro com urgência, você saberá em quanto tempo terá seu dinheiro em mãos. Existem fundos de ações que são D+3 ou D+4 (ou seja, o resgate acontece três ou quatro dias após a solicitação), mas ainda há produtos no mercado com prazo de 30 dias para resgate (D+30).

3. Conheça o gestor e a administradora

Procure conhecer melhor o gestor do fundo, pois é ele quem vai decidir a composição do portfólio, o que fazer com o dinheiro que está em caixa, quais ativos comprar e vender e qual é o momento apropriado para isso. A qualidade e transparência do gestor são fundamentais para o sucesso do fundo, por isso, analise bem o histórico do dele.

Além disso, saber um pouco sobre a administradora também é essencial. Pesquise sobre ela, saiba se ela possui profissionais qualificados e se a equipe possui pessoas especialistas em diferentes áreas, para que, dessa forma eles possam juntar seus conhecimentos e trazer bons resultados para o fundo. 

4. Observe a estratégia de gestão

Saiba qual é a estratégia adotada pelo fundo. Eles possuem algumas classificações que os diferenciam, como o long only, long&short e long biased.

Não podemos dizer que um fundo seja melhor do que o outro, mas que cada um possui uma estratégia e pode se encaixar melhor em determinados períodos ou perfis de investidores.

Um fundo long&short ou long&biased, por exemplo, podem ser considerados menos arriscados e com menos correlação com o Ibovespa, dessa forma, mesmo em momentos de baixa do mercado é possível ganhar com essas estratégias. Já os fundos long only são mais correlacionados com o esse índice e ganharão em momentos de alta da bolsa.

Saiba também qual é a estratégia do gestor. Há gestores que são especialistas em ações, outros que possuem uma visão macro e investem em ações, mas em outros ativos também. Em um momento como o que estamos vivendo em que ações estão em destaque, um gestor focado nesse ramo pode ser uma escolha melhor.

5. Momento do mercado

2019 está sendo considerado por muitos especialistas o ano ideal para investir em ações. Entretanto, saiba exatamente em que você está entrando. Não adianta querer aproveitar do bom momento desse tipo de aplicação e investir em um fundo de ações com vencimento para daqui 5 anos se você precisará resgatar o dinheiro daqui 6 meses.

Saiba aproveitar as oportunidades do mercado, porém faça isso de forma consciente e sabendo as características do tipo de aplicação que você está colocando seu dinheiro.

6. Fatores de restrição

Esteja sempre atento aos fatores de restrição do fundo. Muitos possuem um investimento mínimo, ou seja, é exigido um valor mínimo no primeiro aporte para você se tornar cotista. Há também a movimentação mínima, que é a menor quantia necessária para novas aplicações e resgates para quem já é cotista. Outro fator a ser analisado é o saldo de permanência no fundo, ou seja, o valor mínimo que você deve manter aplicado nele para continuar como cotista.

Além disso, há casos em que o seu patrimônio não é muito alto e não valerá a pena o investimento em determinado fundo. Suponhamos que você tenha R$5.000,00 para investir e a aplicação mínima do fundo é de R$3.500,00. Você tem capital suficiente para investir nele, entretanto, se o fizer estará concentrando muito seu investimento, 70% de todo o seu dinheiro estará vinculada em uma única estratégia. Logo, não é indicado que você faça isso, o melhor seria buscar uma diversificação maior, procurando fundos ou outros tipos de aplicações que possuem um investimento mínimo mais baixo.

7. Saiba todas as taxas cobradas

Antes de investir em um fundo de ações, atente-se para as taxas cobradas. As principais são:

  • Taxa de administração: serve como remuneração para os gestores e manutenção do fundo;
  • Taxa de performance: é cobrada do cotista como um prêmio ao gestor do fundo quando a sua rentabilidade supera a de seu benchmark. Para ficar mais claro, darei um exemplo. Se você investir em um fundo que cobra taxa de performance de 20% e seu benchmark é o CDI e neste ano o CDI rendeu 10% e seu fundo 15%, a taxa de performance incidirá apenas sobre os 5% excedentes. Logo, você terá que pagar 20% dos 5%, ou seja, 1% (0,20 x 0,05 = 0,01) de sua rentabilidade
  • Taxa de entrada: essa taxa não é comum, mas pode ser cobrada, dependo do fundo que você escolher;
  • Taxa de saída: também não é comum, mas pode ser cobrada quando existe um prazo de resgate das cotas e o investidor não respeita a data limite.

Compare as taxas do fundo que você pretende investir com outras de fundos semelhantes para saber se elas estão de acordo com o mercado.

8. Tributação dos Fundos de Ações

Além das taxas, é importante conhecer a tributação.

A lei diz que todos os ganhos auferidos por meio de fundos FIA (fundos de investimento em ações), que são aqueles em que o patrimônio total é composto por, no mínimo, 67% de ações compradas em bolsa, devem ser tributados em 15% de Imposto de Renda. Além disso, fundos FIA não estão sujeitos ao come-cotas, que é o recolhimento antecipado do IR. Um fundo que não possui come-cotas pode gerar para o investidor um retorno final cerca de 10% maior do que um que possui.

Outros fundos que investem em ações, mas que não possuem classificação FIA estarão sujeitos à tributação regressiva do imposto de renda (mostrado na tabela abaixo) e terão come cotas. Por isso ao escolher um fundo o investidor deve estar ciente de sua classificação na AMBINA. Essa informação você encontra na lâmina do fundo disponibilizada no site da administradora do fundo.

tabela aliquota fundos de investimentos

9. Consistência dos resultados

Durante sua existência, os fundos passam por fases boas e fases ruins. Por isso, quando procuramos um investimento, não faz sentido avaliar apenas aqueles que obtiveram o melhor resultado no ano passado. Lembrando que não existe nenhuma garantia de que esses serão os melhores fundos para os próximos meses e anos.

Para a maioria das pessoas, faz mais sentido um investimento que frequentemente supera o benchmark (CDI ou Ibovespa, por exemplo), do que um investimento que esteve no topo dos rankings de um ano e apresentou um resultado ruim no ano seguinte. Por isso analisar a consistência de um fundo é muito importante e para calculá-la avaliamos quantas vezes ele superou o benchmark no período.

Você pode comparar fundos e encontrar dados como rentabilidade, risco e consistência, através do site do comparador de fundos do App Renda Fixa.

10. Histórico de volatilidade e risco

Quanto mais volátil for o fundo mais estômago o investidor precisa ter para aguentar as oscilações. Tenha isso em mente e saiba que fundos que apresentam performance muito acima da média, em momentos desfavoráveis podem apresentar retornos bem abaixo da dela.

Analise toda a janela de volatilidade, e não apenas média. Saiba qual foi a volatilidade máxima, pois um fundo pode, por exemplo, apresentar vol média de 18% mas ter passado por momentos em que ela estava em 30%. Logo, você tem que estar ciente de que apesar de possuir uma volatilidade média, o fundo está sujeito a momentos em que ela pode ser muito maior.

11. Histórico de rentabilidade

Já sabemos que rentabilidade passada não é garantia de rendimento futuro. No entanto, ter um histórico do fundo ajuda a entender o comportamento dele frente a diversos momentos da economia. Busque fundos que possuam uma boa rentabilidade tanto em momentos bons quanto em momentos ruins da bolsa.

12. Pesquise todas as informações sobre os fundos

É exigido que todas as plataformas de investimento de bancos e corretoras que oferecem fundos informem dados básicos como rentabilidade passada e nível de risco, além de publicar a lâmina do fundo.

A lâmina traz as principais informações sobre o fundo, como política de investimento, composição da carteira, valores mínimos para aplicação e resgate, prazo de pagamento do resgate e as taxas de administração e performance.

A Anbima desenvolveu uma ferramenta gratuita que permite pesquisar e comparar todos os fundos disponíveis no mercado, chamada Data Anbima.

Além disso, a CVM também possui uma página de consulta sobre fundos, que traz todos os documentos que devem ser divulgados pelos gestores, como composição da carteira, balancete, valorização das cotas, entre outros. 

Comece a investir agora mesmo

Agora você já sabe todos os passos necessários para escolher um fundo de ações que seja adequado para o seu perfil. Entretanto, somente na plataforma da XP investimentos são mais 500 fundos de investimentos, e para identificar aquele ideal para você pode ser um pouco complicado.

Para ajudar você nessa missão, preparamos mais uma série de artigos que vão servir como um mapa para fazer o seu primeiro investimento:

  1. Como escolher o melhor Fundo de Investimentos para o seu perfil?
  2. Como investir para começar a viver de renda?
  3. Como investir em ações com pouco dinheiro, na prática!

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